sábado, 6 de fevereiro de 2010
Rosenbaum sobre L'atalante. tá com cara de piada isso..
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Agora, carnaval, ou melhor: paz.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Da geração
Bem, o plano que encerra Oiyku do Mizoguchi , de 1933 tem cerca de 5 minutos ( ao menos, para mim, decorridos 1 hora de filme); o plano
( exatamente sob o mesmo diapasão contrapuntístico) em que o movimento, em cinema, só se mostra realmente visível através da mediação ( na falta de palavra pior) desempenhada pelo plano fixo.
Ps: a duração dos planos aqui não é um princípio a reter- auteurs contra cineastas funcionais, que cortam entre uma ação e outra, que não pensam a montagem como relação e implicação entre planos, como sugere Biette, mas sim como geração descontínua de novos espasmos e fulgurações-, a não ser sob a forma de um axioma imprescritível a uma arte de presentificações como o cinema: de que a duração fixa e estatui uma presença, ou a reserva/conserva numa redoma espaço-temporal: observa-a e a escruta e, ao fazê-lo, lhe garante a autenticidade da evidência que cumpre, consuma e consome toda presença: um rastro.terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
http://ruahvainossalvar.blogspot.com/2010/01/da-infinitude-dos-signos.html
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Tertulianas 3

Ficcionalizar foi a forma mais válida que se conheceu- e esta é a grande maestria dos americanos- para conservar , e sobretudo dar uma pátina fenomenológicamente rica de Verdade ( já que vc só conserva o que lhe é precioso, o que ainda lhe diz alguma coisa, não?) ao documento, ao fato bruto. Claro, não há nem nunca houve fatos brutos, fatos nascem em contextos e são, antes de tudo, signos a serem interpretados por um ou uma série de sujeitos. Isto se vc não quiser viver, como no Brasil, numa cinefilia tatibitati, que ignora fenomenologia, Panofski, Manet, etc
Mas o espectador dito naïf do cinema-feira de mafuá dos primórdios foi o único espectador/sujeito/membro de classe que possibilitou a emergência de uma arte tão singular que, embora herdasse o ponto de vista único ( e o de valoração único, portanto) do teatro e tivessse absorvido as regras perspectivistas da pintura, foi única: a arte onde mentira e verdade, fato e ficção, documento e narrativa nascem de uma relação muito particular com o caráter finito, corrosivo, arruinante da imagem em movimento -mesmo que esta, ao contrário da fotografia, preserve os seus fantasmas na placenta do tempo, o que nos diz muita coisa- e da necessidade de conservá-la, a qualquer custo. Não é este o papel que Borges no fundo dá à literatura- às imagens literárias, as metáforas-, a tarefa de Sherazade por excelência? De adiar o encontro com a Morte e a ruína através da multiplicação inaudita de ficções, enovelando-se e emaranhando-se umas sobre as outras. Registrar o fato é condená-lo de antemão ao sepulcro das imagens evanescentes e hipnagógicas que, como nos sonhos, apenas roçam a superfície de nosso id , para serem logo tragadas, como os anjos descritos no Talmude, pelo torvelinho do Nada. Mas "emoldurá-lo" numa ficção é legá-lo a outros homens ,outras gerações, aptas a interpretar, mesmo que de forma distorcida ( e tanto melhor!) aqueles quadrantes de espaço-tempo que um dia foram meus, mas que hoje, enquanto eventos de ficção , podem aceder a uma certa universalidade ( representar uma cultura, refundar mundos), o critério classicista de Verdade que ainda permanece válido e validador para a crítica de arte até os dias de hoje.
Alguém num texto que li disse que ficção não se opõe ao documentário, mas à reportagem. A oposição pode ser até certo ponto simplista- um filme como Milestones se encaixa onde?_, e afinal a crítica deve ser levada a reavaliar seus conceitos de acordo com as novas- novíssimas, ma non troppo sempre- obras que emergem, e não as obras a se adaptarem a critérios, muitas vezes confusos e acomodados de uma crítica permissiva. Mas eu deixo a letra da oposição a quem dela quiser se servir, e fico com o espírito: um fato é precisamente um ponto na linha do tempo e no horizonte do espaço, uma parcela da experiência, mas deslocado/desalinhado do continuum de memória e cognição, sem o qual nenhuma experiência pode aspirar a este nome. Um fato, a rigor, não existe, é mais uma invenção vagabunda dentre as tantas que um século de jornalistas nos legou; um fato, justamente por ser um recorte de um mundo e/ou de um sujeito, já é um índice de ficção, se identificarmos, bárbara mas até certo ponto necessaria e "platônicamente", ficção com falsificação, manipulação do real, ou sua recriação. Todo fato se dirige a um olho, a um olhar, e aí já entramos na intencionalidade fenomenológica. De qualquer modo, fatos não "existem" porque não possuem ( não são orientados ou plasmados por) valores. Fatos são, no entanto,a ponta de um iceberg, este imenso e onívoro iceberg de presentificações e prestidigitações ( fora de campo, contracampo, voz off), este jogo de ausências e presenças que é o cinema: sem documento, sem um registro, não há a possibilidade de ficção, não há o suporte para que a consciência inscreva, como em um palimpsesto, suas impressões ( e isto literalmente) do real, ou antes: que apareçam as formas que exprimem o quão esta consciência foi impressa, violada, dita e recontada pelo real. Bem, Mann, Ferrara, Rivette, Pedro Costa, Straub, Guerin são alguns dos mestres ainda aí que mostram isso claramente: a oposição Lumière e Méliès é, senão falsa, ao menos muito chula. Ela não dá conta do essencial, a saber: que uma paisagem, um grande amor, um raio de sol que corusca sobre o corpo de uma mulher só são vistos como experiências ( epifanias, se quiserem) retrospectivamente, ao fim da cadeia contínua de tempo, e portanto, de interpretações através da qual o espírito humano aprende a se tornar humano e, nesta operação, a tornar seu o mundo e dotar o mundo de si. Nada do que vejo hoje, aqui e a gora, é totalmente meu ou totalmente real ( é uma alucinação?, se a pessoa nunca mais me aparece, ou se eu morrer amanhã? sim, era uma alucinação). Para que um fato se torne ficção ou epifania, é preciso que decorra um certo tempo ( o nosso tempo), e é este tempo do "olhar para trás" ( para o fio de cabelo que ondlava sob o sol ou o encontro dos amantes ao crepúsculo), e de recuperar o fato como selo do Atual ( eternamente atual, pois o cinema me parece, apesar das tentativas em contrário de Duras, Renais e Grillet em tentar provar o contrário, o cinema me parece antes de tudo uma sucessão de presentes ou presenças, ao menos o cinema em seus primórdios, repito) que se chama "contar uma história", desenrolar o novelo de lã que pode não dar em Ariadne ( às vezes, leva direto ao Minotauro) mas certamente levará o olhar casual ao olhar atento; o desprezo do olhar que inventaria/contabiliza, eficiente e expeditamente as coisas num olhar que as contempla e acolhe, olhar regaço; levará , enfim, a apreendermos em nosso presente aquilo que Benjamin chamou de aura, e e que nada mais é que a transposição do conceito originalmente teológico de epifania para o espaço do observador laico ( ou, se quisermos dizer, como Douchet, do cientista nato) que é o cineasta. Seja em busca de conhecimento ou Revelação, de Artifício ou de Registro, o cinema trilhou/trilhará as mesmas rotas, pois a maravilha é um efeito de perspectiva, ou seja: ela surge apenas se nos posicionarmos no instante exato e no ponto ideal para surpreender um ator fazendo uma careta ( ou melhor: surpreendê-lo antes da careta) ou uma criança que brinca sobre a relva, "inocentemente", sem saber que, para nós, ela é um objeto, ou de prazer ou de conhecimento, algo a ser estudado ou fruído; em todo caso, para ambas as operações é preciso fixar o ser, sumetê-lo a metódicas provas, inseri-lo num caldo de cultura e ver o que sai daí. Nennhum cinema é naïf, no sentido de que a câmera é um utensílio suficientemente típico da "evolução das forças produtivas" para acreditarmos, como acreditamos em relação à percepção do animal por exemplo, que ela vá estabelecer com a criança na relva uma relação passiva de cumplicidade e passividade. Aliás, Douchet, com seu "cinema como método de conhecimento" deve ser correta e materialisticamente entendido: o cinema é o nosso olhar mas plasmado pelo olhar da câmera, por mediações técnico-industriais e coletivas que interferem na representação e que, se nem sempre chega às raias da perversão de um Peeping tom ( perversão consciente, logo: arte) ou da perversão de um Cidade de Deus ( perversão até certo ponto inconsciente, algo inconcebível a esta altura das coisas; portanto, lixo).
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
http://ruahvainossalvar.blogspot.com/2010/01/ainda-com-o-texto-do.html
A quem se interessar possa:
http://cavaleirodarosa.wordpress.com/
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Le ricordanze, Giacomo Leopardi.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
La machine, Paul Vecchiali


Se, em Femmes femmes, o teatro é o proscênio do cinema, em La machine é a televisão que toma seu lugar. No teatro se encena um julgamento - seu ponto de vista único é o atrabiliário instrumento de valoração de uma maioria: público, corte, Estado; mas a TV julga uma encenação: procedimentos clínicos e judiciários cuja função é a de nos convencer, metódica e monocórdicamente, de que Pierre Lentier, o assassino de crianças no filme, é a engrenagem motora, mas secundária, de um mecanismo desde sempre em ação, para aquém e para além do crime de Lentier: a representação.
Notas sobre Femmes femmes
Femmes é dos filmes que nos fazem repensar não apenads o que entendemos por essência do cinema ( noção problemática hoje, em qualquer domínio) mas também o que supomos entender por sua história, noção radicalmente ancorada na de essência, aliás.


La voix vous fut connue et chère
Et dans les longs plis de son voile,
Elle dit, la voix reconnue,
Elle parle aussi de la gloire
Accueillez la voix qui persiste
Elle est en peine et de passage,
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
http://cavaleirodarosa.wordpress.com/
Diga o que acham, se conseguirem fechar a boca de pasmos, porque acho que eu tou começando a extrapolar, e o Rivotril tá acabando.
ah, e o Dicionários de cinema só deve voltar em janeiro, depois de uma boa temporada na praia. Traduzir é um trabalho brutal e muuuito chato, me faz parecer o elo de uma cadeia de montagem.



